Subprime Brasileiro
Como todo mundo sabe, ou leu em algum lugar, essa crise foi desencadeada basicamente pelo fato conhecido como “subprime”. O subprime, basicamente é o seguinte: nos EUA, o crédito sempre foi incentivado, e a população possui essa concepção altamente enraizada em sua cultura. A grande maioria dos bens duráveis pode ser financiada nos Estados Unidos.
Diferentemente do Brasil, lá as exigências são mínimias, o que faz com que qualquer cidadão, como pro exemplo, um jovem casal sem perspectivas e que “pula” entre empregos, consiga financiar seus imóveis em leves prestações e a perder de vista. Com essa liberação de crédito às pessoas de menor capacidade de pagamento, no auge do mercado imobiliario americano, grande parte dos financiamentos era feito para esse grupo de pessoas. Para piorar, os contratos feitos lá, ao contrário do Brasil, possuíam taxas menores no início do contrato, que aumentavam no decorrer do mesmo.
Quando os contratos entraram na fase das taxas mais altas, as pessoas não conseguiram honrar seus compromissos, e se obrigavam a vender seus imóveis. Como isso aconteceu de forma generalizada, o preço dos imóveis despencou, fazendo com que a crise tomasse corpo. Para resumir, como os bancos faziam os empréstimos e vendiam papéis para investidores, o tombo foi grande, e não precisa dizer que ainda estamos sentindo (e eu continuo dizendo que aqui ainda não sentimos tudo).
Essa breve explicação é para que vocês possam entender o que pode acontecer aqui no Brasil, porém, no mercado automobilístico. Não é de hoje que está muito fácil financiarmos praticamente o valor total dos carros novos em um prazo muito alongado, como 72 meses (creio que esse seja o maior que eu já vi). Contabilmente falando, o prazo de seis anos é um ano a mais do tempo de depreciação total do veículo, ou seja, em cinco anos, o carro não vale mais nada (contabilmente falando), e ainda estamos pagando por ele.
É de fácil interpretação que, caso ocorrerá algo parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos, ou seja, os contratos não sejam respeitados e as parcelas não sejam pagas, generalizando a situação, o preço dos carros irá despencar. O governo está(va) estudando a redução do prazo máximo dos financiamentos de veículos, mas ainda não vi nada concreto à respeito.
Fica o texto para reflexão, sugestões e crítica. Obviamente o reflexo não será tão grande como o que aconteceu nos Estados Unidos, pois o valor de imóveis supera em muito o de automóveis, e o prazo também é sensivelmente superior, o que aumenta a população envolvida.
