Crise x Oportunidade
No mundo, existem diversas formas de se analisar algum acontecimento, ou fato: a já conhecida história do copo meio cheio ou meio vazio. Com a crise, não poderia deixar de ser diferente, existem vários modos de estudar e também de refletir uma crise. Serão encontradas várias supostas causas para seu acontecimento, e demorará alguns anos para que alcancemos um consenso (se é que chegaremos a algum). A essência humana é baseada na diferença individual, caso contrário, se todos pensassem da mesma maneira, não teríamos alcançado o patamar de evolução atual. O fato de pensar diferente faz com que cresçamos e desenvolvemos novos produtos, serviços e teorias.
A grande maioria das crises, sejam elas, mundiais, nacionais ou até mesmo regionais, são vistas pela grande massa da população como um problema a ser combatido e resolvido. As pessoas que fazem parte da minoria, por sua vez, veem (nova regra da língua portuguesa) a crise como uma oportunidade de crescimento, desenvolvimento, implementação de mudanças e afins.
Supondo que você é um(a) diretor(a) de uma grande empresa, e sabe que o número de funcionários ou os salários estão superavaliados, pois a produção chegou ao ápice no ano passado, mas você não podia se dar ao luxo de dispensar funcionários ou baixar salários dada sua dependência. Essa é a hora de fazer os ajustes necessários sem que isso venha a lhe causar sérios problemas internos (produtivo) ou externo (imagem da empresa) – a crise é a “desculpa”. Algumas indústrias do setor automobilistico de São Paulo já estão revendo, diretamente com os funcionários, os contratos trabalhistas, horas trabalhadas e salários, pois segundo elas, isso evitará demissão em massa, o que descontentaria aos interessados. O momento é propício, pois com a crise batendo à nossa porta, é muito mais vantajoso perdermos os anéis do que os dedos. A propensão de aceite sem muita rebeldia é maior.
Esse é o momento para cortar velhos vícios incorporados em nossas companhias e, por que não, no setor público. É sabido que o número de horas extras no setor público é bastante significativo no total de seu orçamento. Por se tratar do setor público, estabilidade, etc, caso não houvesse a crise, os funcionários poderiam boicotar uma proposta de redução de horas extras com mau comportamento, não se comprometendo em ajudar. Voltando a teoria dos “anéis e dos dedos”, os funcionários, agora por estarem receosos quanto ao futuro, aceitariam a redução com menor resistência e rebeldia.
Apesar de este ser o momento certo para se adotar novas políticas, cortando velhos vícios, existem vários projetos na Câmara de Deputados que parecem querer engessar ainda mais a já inflexível lei trabalhista brasileira. Existe uma lei, por exemplo, que quer acabar com a demissão sem justa causa. Não bastasse grande parte do funcionalismo público brasileiro ser mau visto pela população como “sem vontade”, querem que isto possa vir acontecer em todos os setores. O Brasil parece estar em descompasso com o restante do mundo ao tomar esse tipo de atitude. Enquanto nos países desenvolvidos a livre negociação entre empregador e empregado é que vale, no Brasil, o governo
insiste em dificultar esse tipo de entendimento. Não bastasse os altos juros que às vezes não justificam o investimento no setor produtivo, existem também essas leis para piorar.
