DIA D – 20/01/2009

O mundo está apostando todas as fichas em Barack Obama para sair da crise que teve seu estopim no mercado imobiliário americano, mais precisamente nos títulos chamados “subprime” que os bancos lançaram ao mercado. Esses títulos, cujos recursos são destinados ao financiamento de casas à fatia da população de baixa renda, são lastreados em hipotecas imobiliárias de alto risco e por isso com alto retorno. Quando essas famílias começaram a ter dificuldades em honrar seus compromissos, os títulos passaram a perder seu valor e, muitas instituições que haviam investido nesse mercado devido ao alto retorno, passaram a ter prejuízos e a necessitar de capital para poderem honrar seus compromissos.
Obama, em sua campanha eleitoral, prometeu reaquecer a economia atráves da redução do imposto de renda a determinada fatia da população e, através de investimentos públicos em infraestrutura, principalmente em energias renováveis. Certamente o uso do dinheiro público como forma de aquecer a econômia é a maneira mais rápida de se reverter um quadro de desaceleração ou mesmo de recessão. O problema está na saúde financeira da economia americana.
A crise só não está pior porque o mundo não tem a menor dúvida de que os Estados Unidos continuarão a honrar suas dívidas e por isso continuam a financiá-lo. Até quando? Veja abaixo a situação das finanças públicas dos Estados Unidos:

  • O governo americano tem uma dívida pública da ordem de $10.553.014.664.691,601, isso mesmo, mais de $10 trilhões de dólares, equivalente a 62% do PIB americano.

  • O déficit estimado para o ano fiscal de 2008 é da ordem de $1trilhão de dólares.

Considerando que, devido a crise econômica haverá uma redução das receitas e, o cumprimento das promessas de campanha pelo presidente Barack Obama irão aumentar os gastos, o déficit esperado para 2009 deve ser maior ainda.
Reduzir déficit, seria reduzir despesas, e muito provavelmente aumentar a recessão. Aumentar as despesas será acabar de vez com as finanças americanas. Ou seja, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Sinceramente, a missão do novo presidente americano será uma tarefa árdua. Obama não vai sair do Iraque porque é bonzinho, vai sair porque precisa, é um gasto que o governo americano não está mais em condições de suportar.
Precisará sentar com seus acessores e rever cada dólar gasto pelo Estado, reduzir os superfluos e os menos produtivos2 e aplicar em setores que gerem um efeito multiplicador maior sobre a economia como a indústria automobilística, o setor de infraestrutura e a própria construção civil. Se essa crise foi/é tão séria deve-se justamente ao fato de ter afetado um setor que gera um efeito multiplicador enorme sobre a economia.
Dia 20 está chegando (dia D), e Obama tem o voto de confiança de todo o Mundo, agora, se até meados de julho os resultados das políticas que serão adotadas pelo novo governo não começarem a aparecer, uma nova crise de confiança pode atingir o mercado e dessa vez mais forte do que a anterior.

  1. Em 30/12/2008 – Fonte:
    Treasury Direct
  2. Por produtivos entenda-se o setor cujo investimento gere um efeito multiplicador sobre outros setores. Ex: A indústria automobilística gere efeito sobre o setor de mineração, siderurgia, borracha, plástico, combustíveis, etc…

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